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LEISHMANIOSE: VACINAÇÃO A MELHOR FORMA DE PROFILAXIA

por Veterinária Reino Animal

Postado em Abril de 2019


A Leishmaniose é uma doença zoonótica não contagiosa, transmitida por um protozoário do gênero leishmania, que parasitam as células do sistema imune, onde crescem e se multiplicam. Afetando animais selvagens, domésticos e o homem. Na área urbana os cães são os principais reservatórios e o homem é considerado hospedeiro acidental.

Este procedimento ocorre por meio da inoculação de antigenos atenuados ou inativados. Sendo a vacinação recomendada para todos os filhotes de cães e gatos, respeitando o período de duração da imunidade passiva adquirida através da mãe e tendo como objetivo estimular de forma segura, a resposta adaptativa, levando a formação de anticorpos, de maneira que os cães imunizados apresentem títulos protetores de anticorpos presente na corrente sanguinea, em particular as imunoglobulina G.

Dependendo da espécie pode apresentar formas clínicas cutâneas, mucocutâneas e visceral. Sendo a espécie Leishmania infantum chagasi o agente da apresentação visceral e a brasiliensis quando cutânea. Relatos históricos revelam que a manifestação da doença cutânea em humanos foram relatadas no século 1 d.c. Na América a doença é conhecida desde a época de 400 a 900 d.c

Vale ressaltar que nem todos os animais estão aptos a receber esta imunizaçao, pacientes não sadios, correm o risco de acelerar a evolução da doença já instalada. Devido aos riscos é fundamental que seu uso seja direcionado a pacientes saudaveis. Um exame clínico e laboratorial precoce a vacinação auxiliará a indicação do protocolo vacinal.

Nos seres humanos a leishmania visceral era mais comum em crianças até 9 anos de idade onde a maioria residia em regiões endêmicas, portadoras de má nutrição e imunossupressão. Hoje relata-se casos em pessoas maiores de 15 anos. O período de incubação no homem após a picada do mosquito varia entre 2 a 6 meses. Podendo a doença ficar oculta até que ocorra imunossupressão, o que levará a multiplicação dos parasitas. Os sintomas mais comuns são febre prolongada e irregular, emagrecimento, anemia, aumento do volume abdominal e em crianças, diarréia, vômitos, hemorragia e tosse. Na forma cutânea a úlcera típica da leishmania é indolor, localizada principalmente em áreas expostas da pele, formato arredondado, base eritematosa, infiltrada e de consistência firme. Bordos bem delimitados e elevados, fundo avermelhado e com granulação grosseira. Infecção bacteriana secundaria pode ocasionar dor local e produzir exsudato seropurulento. As lesões podem progredir para a mucosa do nariz, boca e garganta. Na forma visceral fígado, baço e medula óssea são acometidos.

Nos cães pode ocorrer também descamação da pele e crescimento progressivo das unhas.

A transmissão acontece por meio de picada de insetos hematófagos do gênero Lutzomya, conhecidos vulgarmente como mosquito palha, burigui, cangalhinha, asa branca... Esses insetos medem de 2 a 3 milímetros de comprimento. São de coloração amarelado ou acinzentado. Estão presentes em regiões de florestas e arbustos. Porém, com as constantes modificações ambientais provocadas pelo homem é possível encontra- las em áreas urbanas. Reproduzem-se principalmente em regiões de matéria orgânica, sendo comum na área urbana, no lixo e habitam locais úmidos, escuros e com muitas plantas. A atividade máxima destes mosquitos se inicia ao entardecer indo até as 23 horas. No interior das residências são encontrados em repouso principalmente nas paredes dos dormitórios. As mudanças ambientais devido ao aumento desordenado da população, ma distribuição de renda, esvaziamento rural e a condição climática como as freqüentes secas, agem na expansão das áreas endêmicas.

O diagnóstico pode ser realizado de 3 formas: Parasitológico, que identifica o protozoário; sorológico para detecção de anticorpos e molecular para amplificação do DNA do protozoário.

Por apresentar sinais inespecíficos é fundamental a realização do diagnóstico diferencial, que pode envolver doenças como a erlichiose, dermatites diversas, demodicose, babesiose, escabiose entre outras.

Segundo a secretaria do Estado de saúde superintendência de controle de endemias (SUCEN), pelo fato de serem zoonoses primitivas das florestas, há dificuldades em aplicar contra as leishmanioses medidas preventivas utilizadas em relação a outras doenças transmitidas por vetores. Algumas medidas como uso de telas em janelas, evitar as matas ao anoitecer sem vestimentas adequadas, uso de repelente, manter lixos orgânicos bem armazenados, uso de coleiras inseticidas e repelentes para os cães são indicados como profilaxia. Para os cães a vacina é a medida profilática mais eficaz.

A vacinação de cães contra leishimania visceral foi desenvolvida com o critério de reduzir o número de casos e até erradicá-los. Para iniciar o protocolo vacinal é realizado inicialmente o teste sorológico. Sendo negativo se inicia o protocolo vacinal que compreende 3 doses com intervalos entre doses de 21 dias, tendo reforço anual 1 ano após a 1ª dose. Mantendo-se 1 dose anual por toda vida. O tratamento baseia-se na associação de fármacos, tendo prognósticos variáveis de acordo com o estágio da doença.

Médica Veterinária Dermatologista Andreia Medeiros CRMV-RJ 11933